quinta-feira, 7 de abril de 2011

A VOZ DA CAATINGA HOMENAGEIA O DIA DO JORNALISTA LEMBRANDO VLADIMIR HERZOG PRÊSO E TORTURADO PELO REGIME MILITAR

Jornalista Vladimir Herzog, preso, torturado e morto durante a ditadura militar na década de 70
*Paulo Carvalho (SPO) 
Resistir somente,
Nossa bandeira maior!
Devemos investir no novo, mais do que isso, persistir nos velhos sonhos a eloqüência das novas idéias, e com vocações voltadas para a cidadania e ao serviço do bem, sempre valorizando a ética profissional de maneira imparcial e séria, porque não se faz imprensa com pressa, e a agilidade do pensamento não deve ser confundida com má informação ou informação distorcida.
Verificamos, porém, que os amantes do poder, distantes da realidade de "ser imprensa", nos colocam no banco dos réus quando se sentem ameaçados, quando não conseguem interagir de maneira inteligente com os seus eleitores, correligionários, assessores e demais companheiros de jornada, e com isso distorcem fatos, cuidam para manter relações sigilosas que dizem respeito à população, e sacrificam jornalistas, julgando-os pelos seus conceitos de expressão livre, responsável, e de valor moral, cuja sentença da profissão é pagar pelo direito, tantas vezes manipulado pelas instituições políticas, ao uso "necessário e sagrado da palavra".
Resistir somente,
Nossa bandeira maior!
Pela pena sofreram incontáveis jornalistas em todo o mundo. Antes mesmo do manuseio frenético do teclado de um computador, e antes das pesadas teclas da velha máquina de escrever, o jornalista lidava com as complicadas maneiras de construir um noticioso. A pena e o papel para um profissional ávido pela escrita e pela leitura significavam a alma de um jornal, que em épocas de ditadura e perseguição política, militar e até cultural, os profissionais de imprensa tiveram que dar sangue para manter salvos os ideais de "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", não somente na França revolucionária, mas também nas nossas cores varonis; e ainda assim às custas de condenados, exilados, e até queimados pela intolerância daqueles que se diziam representantes de Deus.
Ao contrário do que a igreja pensava na época da inquisição, "Deus não era perseguidor, mas sim perseguido", e a ética do medo era colocada na mira dos tribunais, como ainda hoje acontece. Disfarçados como cidadãos altruístas muitos ditadores desfilam suas garras em amontoados de processos e discursos, para fugirem das culpas e das situações constrangedoras. O que vivemos hoje são marcas de anos púberes, onde o país ainda dava seus primeiros passos para a instalação da democracia. Mas não aprendeu com os anos difíceis, onde o militarismo e a indecência cidadã dominavam até o poder da palavra; enquanto mudos morremos, suspirando a palavra liberdade. Trabalhadores, ex-militantes e ex-estudantes que enfrentavam canhões, hoje desfilam na Praça dos Três Poderes, porque são detentores de 4 poderes, a exemplo da idolatrada e apedrejada mídia brasileira, nas mãos de poderosos políticos e mega-empresários alheios à cidadania do povo brasileiro.
Resistir somente,
Nossa bandeira maior!
E aqui na região, onde o poder de barganha salta aos olhos de políticos carreiristas, que não querem jamais perder as mordomias que o poder lhes oferece, a imprensa é vista como "demônio de saias", a "besta do futuro", parindo filhos maus para uma pauta de destroços... Muitos outros sinônimos de peso negativo para definir uma imprensa que não se cansa dos apelos à paz, abrindo para denúncias e para denunciados, e resguardando o interesse comum da cultura ao voluntariado, da educação à política, em todas as esferas de poder... Para essa imprensa, longa vida e sabedoria, porque discernimento e imparcialidade são as marcas de um jornal inovador. E inovar é acreditar na credibilidade daqueles que fazem imprensa de verdade. 
*Paulo Carvalho é escritor e jornalista

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