Vergonha alheia! Adauto Moraes, de responsabilidade da prefeitura, é tema de matéria regional
Péssimo estado de alguns gramados provoca lesões nos jogadores
Depois de 20 rodadas do Campeonato Baiano, os gramados dos estádios no interior pedem socorro, assim como as articulações e músculos dos jogadores. Alguns campos, que mais parecem várzeas, sofrem com a quantidade de partidas recebidas e com os investimentos das prefeituras municipais e do governo.Apontados como piores desta temporada, os campos do Joia da Princesa, em Feira de Santana, e do Adauto Morais, em Juazeiro, são de mando de duas equipes e já receberam jogos em dois dias seguidos. Pituaçu e Barradão, que ficam na capital, são considerados os melhores.
“Alguns gramados não deveriam nem ser liberados para receberem partidas. A gente pede aos jogadores para terem cuidado antes do jogo, no momento da oração”, diz o médico do Vitória, Luis Felipe Fernandes. Ele explica que, sempre após jogos em gramados ruins, os jogadores se queixam muito de dores nas articulações.
A Federação Baiana de Futebol (FBF), que concede a autorização aos estádios, cobra laudos da Polícia Militar, Bombeiros, Vigilância Sanitária e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-BA), como determina o Estatuto do Torcedor. Além disso, os locais que recebem as partidas devem dispor de iluminação artificial.
O presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues, foi procurado por nossa reportagem, mas não atendeu as ligações.
Lesões, lesões, lesões…
As lesões mais frequentes causadas pelos gramados ruins são as pubalgias e entorses de joelho e de tornozelo. No Vitória, Nino Paraíba, que está afastado do time por dois meses por conta de uma cirurgia no púbis, pode ter tido a lesão agravada por conta da atuação em campos ruins. “O entorse que Rildo sentiu no joelho em Conquista, que lhe deixou fora dos gramados por dois meses, foi diretamente em decorrência de um buraco no campo”, diz Luis Felipe.
“No jogo contra o Juazeiro [no Adauto Morais], Zé Roberto teve uma tendinite no tendão de aquiles. É uma lesão típica desse tipo de gramado”, declara o médico do clube tricolor. Ele ainda conta que Lulinha, logo após a partida contra o Itabuna, no Luiz Viana, ainda na primeira fase do Baianão, também se lesionou por conta do campo ruim.
Médicos buscam prevenção
No final do mês de março, a Fifa e os médicos de clubes brasileiros se reuniram no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para discutir ações de prevenção a lesões ocasionadas por gramados precários. “No curso, eles ensinaram programas específicos de treinamento que são praticados por Barcelona e Real Madrid”, explica Marcos Lopes, médico do Bahia.
Ele ainda lembra que Messi e Daniel Alves, por exemplo, têm poucas lesões em relação aos atletas brasileiros durante suas temporadas de futebol. “Um dos motivos é a qualidade do gramado, além da preparação na pré-temporada”, sentencia Lopes.
Por conta das dificuldades, os médicos da dupla Ba-Vi afirmam que trabalham com atividades específicas para o fortalecimento e estabelecimento da musculatura do quadril e da pélvis. “Isso tem diminuído bastante as lesões”, afirma Luis Felipe.
Os piores investiram mais
Campo, que segundo a prefeitura foi reformado, apresenta vários buracos. Foto: FSF
Já nos melhores estádios do estado, os valores são menores. Segundo a Sudesb, Pituaçu consumirá cerca de R$ 384 mil este ano, e, de acordo com o diretor de patrimônio do Vitória, Haroldo Tavares, o Barradão gastou R$ 400 mil em seus quatro campos em 2011.
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