sexta-feira, 24 de abril de 2015

A vereadora e representante do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Pernambuco (Sintepe), Cristina Costa (PT), voltou a bater forte no governador Paulo Câmara (PSB), em relação à greve dos professores da rede estadual, que entra no seu 14° dia. Num discurso contundente feito ontem (23) por ela na Casa Plínio Amorim, sobrou até para o Tribunal de Justiça do Estado.

Vereadora Cristina Costa acusa  governador de pernambuco  em relação a greve dos professores: “Tem o Judiciário ao seu lado.

cristina costaA vereadora e representante do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Pernambuco (Sintepe), Cristina Costa (PT), voltou a bater forte no governador Paulo Câmara (PSB), em relação à greve dos professores da rede estadual, que entra no seu 14° dia. Num discurso contundente feito ontem (23) por ela na Casa Plínio Amorim, sobrou até para o Tribunal de Justiça do Estado.
Segundo Cristina, o governador “barganha” com o Judiciário para conseguir o que quer. Exemplo disso, afirmou a vereadora, foi a decisão do desembargador Jovaldo Nunes em acatar, em 24 horas, pedido do estado pela ilegalidade da greve, sob pena do Sintepe pagar uma multa diária de R$ 30 mil.
O Sindicato, por sua vez, recorreu da decisão há mais de três dias e até o momento o pedido não foi analisado. Enquanto isso, o TJPE elevou a multa para R$ 80 mil devido ao fato da entidade manter o movimento paredista. Cristina mantém seu posicionamento. “Se eu tivesse a oportunidade, diria pessoalmente ao juiz. Ele (Câmara) tem o Judiciário ao seu lado”, disparou.
A vereadora revelou que Câmara – que por enquanto “vive de propaganda” – descumpre um compromisso firmado por ele, quando era secretário de Finanças do então governador Eduardo Campos, de cumprir o piso, com efeitos retroativos a janeiro de 2015, sem alterações na estrutura das grades de vencimento da base da carreira. Ou seja, o benefício se estenderia a todos os professores, e não apenas os do ensino médio, como quer o atual governador nesse momento.
Apoio
Cristina explica que a reivindicação do Sintepe é para Câmara repassar apenas o que ele já recebeu do governo federal, e não que tire do estado para pagar o piso. “A categoria está perdendo a confiança neste governo, que ainda não disse a que veio”, alfinetou, lembrando que o governador prometeu em campanha, no ano passado, dobrar o salário e duplicar o piso da categoria no seu mandato.
Ela também considerou uma contradição o fato de o estado ter concedido reajustes aos servidores do Judiciário e do Tribunal de Contas (TCE), além de abrigar em sua equipe a ex-candidata a deputada estadual, Roberta Arraes, esposa do prefeito de Araripina, Alexandre Arraes. Mas atribui à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) o motivo pelo qual não pode cumprir o reajuste aos profissionais da educação, saúde e segurança pública.
Mostrando-preocupada com o Plano de Cargos e Carreira, Cristina lamentou a ausência de um plano educacional para o estado e disse ser inadmissível a maneira “autoritária e arrogante” do governador em transferir alguns professores grevistas que atuam na Escola de Referência. “Se transferir um, terá de transferir todos”, afirmou. Também voltou a criticar a postura da “porta-voz” do governo, professora Anete Ferraz (gestora da GRE), que convocou os alunos a retornarem às salas de aula, numa alusão de que o movimento teria acabado. “Se a GRE colocar carro de som dizendo que a greve acabou, o Sintepe colocará outro anunciando que a greve continua”.
Sobre o apoio da classe estudantil à greve, Cristina se disse surpresa. “Em 29 anos, e depois de pelo menos 15 greves, nunca tinha visto um nível de conscientização como esse dos estudantes. É como se eles dissessem: ‘se o governador não tem condições de dar 13% e valorizar os professores, como nós, estudantes, podemos respeitar esse governo?’”, disse a vereadora, garantindo que o Sindicato manterá o movimento, apesar das pressões.

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